Pai tem sempre aquela fama de ser ciumento e super protetor, principalmente com as filhas. O meu sempre foi sossegado, mas sabia como cuidar de mim sem ser chato.
Quando era adolescente, por exemplo, lembro que várias meninas tinham vergonha de quando seus pais iam buscá-las na escola ou no baile. Eu não! ficava super orgulhosa quando o Chevettinho apontava na rua. Pois eu sabia que não era qualquer pai que topava sair de casa (ou acordar) naquela hora. Quando ele fazia isso, eu sentia que poderia contar com ele para o que fosse.
Lembro de uma ocasião em especial que meu pai foi me buscar, e nunca me esqueci.
Em 2007 eu estava terminando um namoro problemático em Londrina. Como meus pais moravam em outra cidade e eu não queria deixá-los preocupados, tentei segurar o rojão sozinha, escondendo qualquer sinal de dificuldade. Mas a situação ficou insustentável quando, 3 meses depois do fim do namoro, o “elemento" ainda não me deixava em paz, me ameaçando e tentando retomar a relação a todo custo. Foi um inferno. Neste dia eu desabei, não sabia mais o que fazer e liguei para meu pai, que não pensou duas vezes e viajou quilômetros para me "salvar". Imagine meu alívio ao sair do trabalho e encontrar meu pai me esperando do outro lado da rua. ufa!
Naquela noite, meu pai teve uma conversa de homem para homem (ou seria de homem para covarde?) com o cara. E daquele dia em diante o infeliz tomou seu rumo e pude finalmente tocar minha vida em paz novamente. Sem gente no meu pé. Livre!
Ok, eu poderia ter chamado um amigo, um tio, ou até mesmo a polícia para resolver aquele meu desafeto, mas foi importante ver que meu pai estava lá por mim. E eu sei que ele sempre vai estar.