Quando comprei meu HD de 200 Gb há 5 anos, achei que nunca mais teria problema com falta de espaço no meu computador. Que inocência a minha. Acontece que no meio de uma edição de vídeo, o computador foi curto e grosso: “o disco está cheio”. Putz, foi aquela correria para apagar arquivos e liberar espaço!
Pior que me esqueço que é sempre o mesmo drama. Foi assim com meu primeiro HD de 4 Gb, com o de 40 Gb, com o de 80 Gb. E vem aí o HD de 1 Terabyte. Parece que quanto mais espaço temos, mais espaço queremos. Até onde isso vai?
Garimpando arquivos inúteis no meu computador, descobri músicas que não escuto mais, instaladores desatualizados, jogos que parei de jogar há muito tempo, imagens, textos e vídeos, coisas de uma época que baixar algo da internet era demorado demais e depois dava dó de apagar…
Fiquei me perguntando o que nos leva à guardar tantas coisas que não servem pra mais nada. Coisas que a gente não quer, não usa, não joga fora e nem lembra que existe. Uma segurança de saber que elas estão lá? Compulsão por guardar? Só Freud explica.
No fim do dia, eu estava feliz e satisfeita de ver a lixeira do computador lotada, e ainda com uma vontade de continuar a faxina no meu guarda-roupa, gavetas e armários! Como já diria o ditado “Lixo: coisas que jogamos fora. Coisas: lixo que guardamos”.
Que bom seria se conseguíssemos ter este mesmo desapego em alguns setores das nossas vidas. Quantas relações, empregos, sentimentos e atitudes, que não trazem mais nada de bom, a gente vai levando na nossa bagagem existencial, só por levar.
Recomendo que de tempos em tempos, a gente pare, pense e faça uma faxina dessas nas nossas vidas também. Porque a vida, ao contrário do computador, não avisa que “o disco está cheio”.