Este post é sobre o maior desenho que já fá fiz. Então, nada mais justo que também seja meu maior post até agora, hehehe. Senta que lá vem a história!
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Em 2005 estive diante de um dos meus maiores desafios como ilustradora. Desenhar e pintar 3 painéis de 10 metros cada. SOZINHA!
Naquela época, a minha rotina era ir da faculdade pro estágio no Sesc. Lá eu me tornava a mocinha do setor de Apresentações Artísticas, que montava exposições, organizava eventos e decorava ambientes para datas festivas.
Confesso que não era muito boa nisso. Depois de tantos anos trabalhando só na frente do computador, eu sofria para lidar com os materiais do mundo real (papel nacarado? quiéisso?!). Cansei de encher balão de festa e de queimar o dedo com pistola de cola quente. Nhé.

Apenas mais uma estagiária perdida!
Então que, a Yuka, minha “chefe”, ficou grávida. Tudo beleza se não fosse por um detalhe: ela entraria de licença maternidade bem na época dos preparativos do Sesc em Cena, que era o acontecimento mais importante do nosso setor. O evento movimentava o Sesc todo. Mas éramos nós os responsáveis em preparar cenários inteiros para o musical.
Pois bem, eu estaria sozinha nesta jornada.
E para piorar a situação, era meu último ano de faculdade. O TCC (tese de conclusão de curso) já me consumia grande parte das preocupações diárias.
Meu fim do ano seria uma corrida contra o tempo. Eu tinha 4 meses para terminar o TCC, fazer todos os últimos trabalhos e provas da faculdade, criar a concepção dos cenários, confeccioná-los, apresentar a tese pra banca e finalmente estar com os cenários prontos pro Sesc em Cena, e claro, manter a sanidade durante todo o processo!
Ou seja: o bicho ia pegar pro meu lado mermão!

Yuka e eu (Feliz, sem saber o que me esperava!)
Como o tema do musical já era velho conhecido da minha infância, a cenarização de
A Bela e a Fera saiu fácil da cabeça, o difícil era saber como aquilo ia sair do papel!
Uma das minhas grandes (e bota grande nisso) preocupações na composição do tal cenário, era o fundo deles. Não dava para simplesmente botar um panão preto e encher o palco de objetos cenográficos. Tinha que ser algo colorido e feliz.
O problema já começava com o próprio tecido que não existia naquela dimensão! a saída foi comprar TNT e colar 3 pedaços com cola quente até dar o tamanho certo. Tecidos prontos, eu tinha que começar com os desenhos!
Mas como fazer 3 desenhos enormes em 3 painéis de 10 metros de largura por 4 metros de altura? Pô, eu estava acostumada em desenhar no máximo usando um papel A3… NHA!
Foi quando tive a brilhante idéia de passar meus desenhos para uma transparência, para então projetar nos tecidos gigantes. Para isso, o pano tinha que estar em pé, então o prendi com alfinetes numa cortina. E dá-lhe gambiarra nestas horas!

Com 30 metros de panos riscados, restava começar a pintura. Como seriam 3 cenários diferentes, eu precisaria de uma variedade muito grande de tintas. Como o orçamento não me permitia tal extravagância, apelei para um baldão de tinta látex branca com pigmentos para misturar.
Ainda tinha o fato de que o salão que eu usava para fazer isso, tinha que estar devidamente limpo e liberado para os finais de semana, onde aconteciam os bailes da terceira idade. Na sexta era aquela correria para ter certeza que a tinta estava seca antes de dobrar e guardar o tecido, para na segunda, começar toda maratona novamente. Ufs.
Agora imagine toda esta trabalheira multiplicada por três. Sentiu o drama né? pois é.
Não vou negar que senti um orgulho de mim mesma ao ver meus painéis gigantes pintados, estendidos no chão. Prontinhos para o grande dia!
O mais legal porém, foi ver tudo isso durante o espetáculo. Mesmo estando em plano de fundo, eu não conseguia tirar os olhos deles! com a iluminação certa então, ganharam vida!
Dá para ver todo o processo de montagem do cenário neste
vídeo com fotos.
E também tem este
vídeo dos bastidores, com vários trechos de filmagens que fiz no dia.
Ao terminar o espetáculo, todos vieram me parabenizar pelo feito. Adoraram o resultado final. E eu não acreditava que tinha sido capaz de dar conta de tudo sozinha! Ainda mais eu, que era super lerda com estas coisas.
No fim o esforço valeu a pena!
Ah, e o TCC? Tirei nota 10!
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